72 – Amando

Ao sublime dos sentimentos, sentimentos fatiados em pedaços servidos em delicadas emoções, contida nas obras do tempo, sentimentos vagando por uma penumbra, desabando aos seus pés, sem pressa da despedida desse sentimento que ferem, momentos de silêncio de um olhar.

Desta fome louca que trafega nas brisas de sua existência, dos duvidosos vazios que não mudam do lugar, da inexplicável cobiça do achado dos sentidos, detalhes despercebidos numa impulsão de um coração.

Já desisti muitas vezes sem tentar, pessoas que fui conhecendo, pessoas que fui esquecendo, já me perdi nos labirintos do coração, rastros de lamentos, saudades, sentimentos que não mais existem, entre todos os sentimentos que me restam, vivo por mim, vivo por esse alguém.

Loucuras de devassas em minha vida, uma bênção obscura na escultura dos sentimentos, exprimo o que sinto, o que sinto se revelando na chama que pouco a pouco se alimenta de um coração.

Sozinho se afogando, um sentimento que aperta um coração, de instantes e repentes de palavras fadonhas, perniciosas, mas sem lijonsas, não preciso de instruções, sentimento um dia adormece, paira no tempo, que o tempo não me puna e que me faça viver essa vida novamente.

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71 – Meu sertão

Terra batida, rachada, poeira na estrada, beirando as matas, campos, acompanhadas aos cantos do meu sertão, de orações e pedidos, pede chuva pra nós come, demais não para não perder o que comer.

Da casa pequena, esquisita ao olhar dos que fora vem ao meu sertão, aqui não se vive de luxo, é tudo simplicidade, sou um caboclo desse mundo, não tenho status de doutor, mas cuido da terra como um o servo do senhor.

Não sou de se fazer rodeios, sinto em desapontar, meus sonhos não são de riquezas, não troco de lugar, não sou do mar, não sou do asfalto, sou da terra, vivo com uns tostões, não me veras vivendo de ilusões.

Luar de atiçar a imaginação, da roda a cantar, da boa prosa, da lida com o sertão, da mata que esconde a minha caça, o sublime não existe, a canção da viola a libertar, os sonhos das lindas caboclas apaixonadas.

Sentado ao pé da mangueira, vejo meus meninos e meninas brincarem, crescerem como um espigão, já se faz tantos anos que meus cabelos branquearam, desta terra batida me vem à gratidão, da cabocla que veio ao meu ninho, e vive feliz ao meu lado, junto ao meu sertão.

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70 – Já

Já vivi eternamente apenas em um dia, já estendi as mãos por não mais acreditar em mim mesmo, já ignorei sentimentos largados num canto qualquer, já escondi as lagrimas pela a falta da tal felicidade.

Do poço já emergi sabe-se lá quantas vezes, já vivi dos enganos e decepções, já fui forte em momentos difíceis, já me tornei frágil ao mesmo instante, já me fiz de forte para reconquistar a confiança.

Já troquei de sentimentos sem jamais ter por um instante, já fui perdoado e não soube doar esse perdão, já perdi muito nessa vida sem recuperar um quinhão.

Já me procurei em meus quatros cantos e não me encontrei, já vivi de intolerância, já me perdi e me resgatei por uma esperança, já não mais reconhecia as palavras que feriam, já semeei duvidas e colhi inseguranças.

Já sorri em dias de tristezas, já me perdi em sonhos a espera desse alguém, já disse um não quando da verdade seria um sim, já vivi de prazeres e encantos, já fiz de meus dias de céu e um inferno num mesmo instante, já amei e não me encontrei, já soube que é ser feliz e não vivi, vivo esses sentimentos sabendo que ainda posso ser feliz.

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69 – Coração de papel

Sentimentos dilacerados, palavras embaralhadas, confusas, sentimentos de garras e sonhos, esse coração tem pressa, não acostume, se perdi por acaso esse seu amor, me faço feliz novamente.

Um coração sofre ao ser rejeitado, renegando um sentimento presente a cada instante, não estou triste, pelo contrário, deixo escapar um sorriso a todo instante

Renegado sem ambições, imaginações que apertam esses corações, é como desejar em ser resgatado, não é um sentimento mendigado nem compaixão, é ar para um coração afogado.

Não me fizeste feliz, me fizeste em pedaços, transformou essa relação intensa em um pedaço de papel, o destino deu outra chance a esse coração, com a mesma intensidade vou amar e ser feliz novamente.

Não importa em quantos pedaços me partiste, o mundo não parou, quem um dia já não sofreu por uma grande paixão, mas ele sobreviveu, não parou de bater, bate mais forte por outro alguém, ele tem pressa, venha à porta está aberta, você não o quis, usou,rasgou, amassou e jogou fora, saibas que esse coração não é de papel.

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68 – Moldura

O tempo passa sutilmente sem ameaças, das magias a um toque diferente, se sentir esse eterno adolescente, dessa verdade o que restou foi sua lembrança, preservado na moldura de seu retrato.

Dos bilhetes escritos em seus guardanapos, restaram as lembranças gravadas, riscadas em um passado, soprando uma brisa que envolve essa doce saudade, da moldura de seu retrato.

Restou um laço daquele retrato, dos jardins, do cantinho do amor, sorriso, amigos, vejo em meu quarto tudo que me completa, sei que partiste eternamente, olho para a moldura de seu retrato e relembro como fomos felizes no passado.

Sua imagem fotografei em minha vida, não foi colorida, mas o seu brilho vive em minha vida, não foste uma simples fotografia, neste quarto sombrio está presente a moldura com seu retrato, que saudades de seus afagos.

Dessas lembranças não tenho o seu abraço, as vezes esqueço que não mais pertence a esse mundo, percebo de sua foto o seu olhar a me acompanhar, o sol se escondeu, a luz do luar passou a te iluminar, eu e você, sozinhos neste quarto, percebo que o sono vem me tomar, mas sei que amanhã você estará la ao acordar, me aguardando sempre no mesmo lugar.

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