63 – Descaso

Revendo momentos, desesperançados de sentimentos desenganados, descaso corrosivo, corroído pela ingratidão de quem um dia desprezou uma paixão, deixou em desuso  vestido de solidão.

Sentimentos de vestis maltrapilhos, inconsistente diante dos olhos sofridos, imensidão de um mundo indefinido, dos palcos dos sonhos, expondo-me a multidão sem razão, sem destino, mutilando todos os sonhos.

Despejo maciço dessa relação, emoções secretas dispersas ao tempo, ao chão, sentimentos humilhado, ferido, indignado, que um dia nutriu uma grande paixão.

Virtuosa e graciosa, obra prima de dois corações, endurecida e abastecida pela arrogância de um sentimento de quem nunca se entregou, com medo de viver essa paixão.

Refaço, agarro-me em meus apelos, um dia amais dessa dor que me açoita, das belezas das rosas me reservaste os espinhos, que seja essa solidão o recomeço de quem amou, não mais daquele que um dia já viveu e sofreu por essa paixão perdida.

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